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quinta-feira, 21 de junho de 2018

O sumo sacerdote que condenou Jesus


EM NOVEMBRO de 1990, alguns homens estavam trabalhando num parque e numa rodovia a pouco menos de dois quilômetros ao sul da Cidade Velha de Jerusalém quando fizeram uma descoberta fascinante. Um trator fez com que o teto de uma caverna funerária desabasse acidentalmente. Do primeiro século AEC até o primeiro século EC, aquela área tinha sido usada como uma enorme necrópole. O mais curioso, na realidade, era o que os arqueólogos descobriram na câmara mortuária.

A caverna continha 12 ossuários, e dentro deles havia ossos que tinham sido guardados depois de os cadáveres terem ficado em túmulos por cerca de um ano e sua carne ter decomposto. Num dos lados de um ossuário belamente entalhado — um dos melhores que já se encontrou — havia um nome inscrito: Yehosef bar Caiapha (José, filho de Caifás).

Evidências sugerem que esse túmulo talvez tenha sido do sumo sacerdote que presidiu o julgamento mais importante da História: o de Jesus Cristo. O historiador judeu Josefo identifica esse sumo sacerdote como “José, que era chamado de Caifás”. Ele é chamado na Bíblia simplesmente de Caifás. Por que devemos estar interessados nele? O que o motivou a condenar Jesus?

Família e formação

Caifás casou-se com a filha de Anás, outro sumo sacerdote. (João 18:13) Essa união provavelmente já estava preestabelecida anos antes do casamento, visto que ambas as famílias queriam se certificar de que estavam fazendo uma boa aliança. Isso significou examinar cuidadosamente genealogias para garantir a pureza de sua linhagem sacerdotal. Pelo visto, as duas famílias eram ricas e aristocráticas, e provavelmente sua riqueza advinha de grandes propriedades nos arredores de Jerusalém. Anás queria ter certeza de que seu futuro genro seria um aliado político confiável. Parece que tanto Anás quanto Caifás pertenciam à influente seita dos saduceus. — Atos 5:17.

Membro da destacada família sacerdotal, Caifás deve ter recebido uma educação baseada nas Escrituras Hebraicas e na interpretação delas. Seu serviço no templo talvez tenha começado quando ele tinha 20 anos, mas é desconhecida a idade com que ele se tornou sumo sacerdote.

Sumos sacerdotes e principais sacerdotes

No início, o sumo sacerdócio era um cargo hereditário e vitalício, mas os asmoneus o usurparam no segundo século AEC.* Herodes, o Grande, nomeava e destituía os sumos sacerdotes, deixando claro que era ele a verdadeira autoridade. Os governadores romanos da Judéia seguiam uma prática semelhante.

Esses acontecimentos levaram à formação de um grupo que as Escrituras chamam de “principais sacerdotes”. (Mateus 26:3, 4) Além de Caifás, esse grupo incluía ex-sumos sacerdotes, tais como Anás que havia sido deposto, mas continuava com o título. O grupo também incluía familiares imediatos dos sumos sacerdotes, tanto dos em exercício como dos antigos.

Os romanos deixavam a administração diária da Judéia a cargo da aristocracia judaica, incluindo os principais sacerdotes. Isso deu a Roma o controle da província e garantiu a arrecadação de impostos, não sendo necessário enviar muitos soldados para lá. Roma esperava que a hierarquia judaica mantivesse a ordem e defendesse os interesses do império. Os governadores romanos não tinham muita afeição pelos líderes judeus, que, por sua vez, não viam o domínio romano com bons olhos. Mas a cooperação mútua visava os melhores interesses de ambos os grupos, e era para o bem de um governo estável.

Na época de Caifás, o sumo sacerdote era o líder político judeu. Anás foi nomeado para esse cargo por Quirino, governador romano da Síria, em 6 ou 7 EC. Ganância, nepotismo, opressão e violência eram, segundo a tradição rabínica, características das famílias aristocráticas judaicas proeminentes. Certa escritora conclui que, como sumo sacerdote, Anás se certificaria de que seu genro fosse “rapidamente promovido para algum cargo de destaque no templo; afinal, quanto maior o cargo que Caifás ocupasse, mais útil ele seria para Anás”.

Valério Grato, governador da Judéia, destituiu Anás por volta de 15 EC. Outros três, incluindo um dos filhos de Anás, ocuparam o cargo de sumo sacerdote numa rápida sucessão. Caifás se tornou sumo sacerdote por volta de 18 EC. Pôncio Pilatos, que foi nomeado governador da Judéia em 26 EC, manteve o cargo de Caifás durante todo seu mandato de dez anos. Esse período abrangeu a época do ministério de Jesus e o começo da pregação de seus discípulos. Mas Caifás era hostil para com a mensagem cristã.

Medo de Jesus e de Roma

Caifás encarava Jesus como um perigoso agitador. Jesus desafiou a interpretação hierárquica das leis sabáticas e expulsou os mercadores e cambistas do templo, dizendo que haviam feito dele um “covil de salteadores”. (Lucas 19:45, 46) Alguns historiadores acreditam que aquele mercado no templo pertencia à família de Anás, talvez sendo essa outra razão pela qual Caifás tentou silenciar Jesus. Quando os principais sacerdotes enviaram guardas para prendê-lo, eles ficaram tão impressionados com as palavras de Jesus que voltaram de mãos vazias. — João 2:13-17; 5:1-16; 7:14-49.

Analise o que aconteceu quando os líderes judaicos ficaram sabendo que Jesus havia ressuscitado Lázaro. O Evangelho de João conta: “Os principais sacerdotes e os fariseus ajuntaram o Sinédrio e começaram a dizer: ‘Que devemos fazer, visto que este homem realiza muitos sinais? Se o deixarmos assim, todos depositarão fé nele, e virão os romanos e tirarão tanto o nosso lugar como a nossa nação.’” (João 11:47, 48) O Sinédrio encarava Jesus como uma ameaça às autoridades religiosas e à ordem pública, que Pilatos considerava ser de responsabilidade dessas autoridades. Qualquer movimento popular que os romanos talvez encarassem como sedicioso poderia levá-los a intervir na gestão dos judeus — algo que o Sinédrio queria evitar a qualquer custo.

Embora não conseguisse negar que Jesus tinha realizado obras poderosas, Caifás não exerceu fé, tentando manter seu prestígio e autoridade. Como ele poderia admitir a ressurreição de Lázaro? Ele era saduceu e não acreditava na ressurreição! — Atos 23:8.

A maldade de Caifás ficou evidente quando disse a seus co-governantes: “Não deduzis logicamente que é para o vosso proveito que um só homem morra a favor do povo e não que toda a nação seja destruída.” O relato continua: “Isto, porém, não dizia de sua própria iniciativa; mas, porque era sumo sacerdote naquele ano, profetizava que Jesus estava destinado a morrer pela nação, e não só pela nação, mas, a fim de que os filhos de Deus, que se acham espalhados, fossem também por ele ajuntados numa unidade. Portanto, daquele dia em diante deliberaram matá-lo [Jesus].” — João 11:49-53.

Caifás não se deu conta do pleno sentido de suas palavras. Devido ao seu cargo de sumo sacerdote, ele de fato profetizou.* A morte de Jesus seria benéfica, mas não apenas para os judeus. O sacrifício de resgate forneceria os meios para livrar toda a humanidade da servidão ao pecado e à morte.

Conspiração assassina

Os principais sacerdotes e anciãos judeus se reuniram na casa de Caifás para conversar sobre como poderiam apoderar-se de Jesus para matá-lo. O sumo sacerdote provavelmente teve uma participação em estabelecer, junto com Judas Iscariotes, o preço da traição de Jesus. (Mateus 26:3, 4, 14, 15) No entanto, apenas um assassinato não era o suficiente para Caifás alcançar seu maus objetivos. “Os principais sacerdotes deliberaram matar também Lázaro, visto que por causa dele muitos dos judeus . . . depositavam fé em Jesus.” — João 12:10, 11.

Malco, escravo de Caifás, estava na turba enviada para prender Jesus. Como prisioneiro, Jesus foi levado primeiro para Anás, a fim de ser interrogado, e depois para Caifás, que já tinha convocado os anciãos judeus para participar num julgamento noturno ilegítimo. — Mateus 26:57; João 18:10, 13, 19-24.

Caifás não ficou frustrado quando os falsos testemunhos contra Jesus divergiram. O sumo sacerdote sabia o que os conspiradores, incluindo ele próprio, pensavam a respeito de alguém autodenominar-se Messias. Portanto, ele quis saber se Jesus alegava ter esse título. Jesus respondeu que seus acusadores o veriam “sentado à destra de poder e vindo nas nuvens do céu”. Numa demonstração de piedade, “o sumo sacerdote rasgou então a sua roupagem exterior, dizendo: ‘Ele blasfemou! Que necessidade temos ainda de testemunhas?’” O Sinédrio decidiu que Jesus merecia a morte. — Mateus 26:64-66.

As execuções tinham de ser aprovadas pelos romanos. Como intermediário entre eles e os judeus, foi provavelmente Caifás quem levou o caso para Pilatos. Quando Pilatos tentou livrar Jesus, Caifás talvez estivesse entre os principais sacerdotes que gritaram: “Para a estaca com ele! Para a estaca com ele!” (João 19:4-6) Foi também provavelmente ele quem instigou a multidão a clamar pedindo a libertação de um assassino, e não a de Jesus. Talvez ele estivesse entre os principais sacerdotes que clamaram hipocritamente: “Não temos rei senão César.” — João 19:15; Marcos 15:7-11.

Caifás negou as evidências da ressurreição de Jesus e se opôs a Pedro e a João, depois a Estêvão. Caifás também autorizou Saulo a prender qualquer cristão que encontrasse em Damasco. (Mateus 28:11-13; Atos 4:1-17; 6:8-7:60; 9:1, 2) Por volta de 36 EC, no entanto, Caifás foi destituído por Vitélio, o legado romano na Síria.

Escritos judaicos mostram a família de Caifás sob luz desfavorável. Por exemplo, o Talmude Babilônico lamenta: “Ai de mim por causa da casa de Hanin [Anás], ai de mim por causa dos rumores” ou “calúnias”. Acredita-se que essa queixa se refira a “reuniões secretas para planejar medidas opressivas”.

A lição que Caifás deixou

Certo erudito descreveu os sumos sacerdotes como “severos, astutos e experientes — e muito provavelmente arrogantes”. A arrogância fez com que Caifás rejeitasse o Messias. Portanto, não devemos desanimar quando as pessoas rejeitam a mensagem da Bíblia. Alguns não têm suficiente interesse na verdade bíblica para abandonar crenças muito estimadas. Outros talvez achem que pregar humildemente as boas novas os rebaixaria. Os padrões cristãos repelem os desonestos e os gananciosos.

Na qualidade de sumo sacerdote, Caifás poderia ter ajudado seus companheiros judeus a aceitar o Messias, mas sua avidez pelo poder fez com que rejeitasse Jesus. Essa oposição provavelmente continuou até a morte de Caifás. O registro de seu comportamento mostra que não são só os ossos que ficam depois da morte. Por meio das nossas ações, estabelecemos uma reputação duradoura aos olhos de Deus, quer para o bem quer para o mal.

Hitler odiava os judeus?

O Anti-semitismo tem raízes religiosas milenares


Para compreender o anti - semitismo, é fundamental diferenciá - lo do antijudaísmo.
O antijudaísmo é o ódio à religião judaica como ideologia ou visão de mundo.
Anti - semitismo é o ódio aos judeus como nação.

Os que professam o antijudaísmo acabam sendo anti-semitas, uma vez que partem do pressuposto de que a religião judaica contaminou a nação que segue seus preceitos.

o anti-semitismo desemboca no antijudaísmo, ao sustentar-se na premissa de que só uma nação racialmente inferior pôde ter criado uma religião tida como a religião do Mal.


Na Antiguidade, seitas eso-téricas conceberam a religião judaica como a religião do demônio e viam os judeus como os agentes na propagação dessa religião do pecado.

Essa cosmovisão foi resultado de uma crença dualista, isto é, em dois poderes criadores do universo: o Bem e o Mal, identificando os judeus com o Mal, o que os colocou no papel do mal cósmico e os viu como instrumento do demônio.

Segundo a visão paulina antijudaísmo e anti - semitismo para o apóstolo paulo, a revelação da torá é uma revelação temporária e os que contunuam a seguir a torá após a chegada de JESUS CRISTO são traidores, segundo este raciocínio , os judeus, ao rejeitarem CRISTO como messias e ao assassina-lo , transformaram-se em agentes do mal , no povo deicida.(  pessoas que mataram Deus (Jesus Cristo).


terça-feira, 19 de junho de 2018

 conheça a curiosa história da papisa Joana

No dia do papa, o Terra lembra da história daquela que teria sido a única mulher a ocupar o posto mais alto da igreja Católica

No dia 29 de junho comemora-se não só o dia de São Pedro, mas também o dia do papa, já que o apóstolo Pedro tornou-se o primeiro líder da fé católica depois da morte de Jesus, tornando-se assim o primeiro papa da história. Desde Pedro, mais de 265 papas vieram.

Ilustração da Papisa Joana datada de 1560
Foto: Wikimedia / Reprodução

O que muitos não sabem, porém, é que uma mulher pode estar entre os que ocuparam o posto que hoje é de Francisco. Trata-se de Joana, uma camponesa que teria se passado por homem e sucedido o Papa Sérgio II, no século IX. A história, contudo, é considerada fantasiosa pela Igreja Católica e pela maioria dos teólogos.


A escritora inglesa Donna Woolfolk Cross passou sete anos pesquisando e reunindo todos os fatos conhecidos da vida de Joana, extraídos de documentos raros em inglês, espanhol, francês, italiano e latim. O trabalho culminou no livro Papisa Joana (Geração Editorial, 2009), que inspirou o filme de mesmo nome, dirigido por Sonke Wortmann.

Na versão cinematográfica, Joana nasceu em 814, na aldeia de Ingelheim, onde hoje seria a Alemanha. Nesse período, conhecido como Idade das Trevas, ainda não existiam os países europeus modernos nem seus idiomas e a língua culta era o latim. As mulheres eram proibidas de estudar, pois isso era visto como antinatural.

Porém, segundo a apuração, curiosa, Joana aprendia com facilidade. O irmão mais velho a ensinou a ler, escondido do pai, extremamente religioso e rígido. Joana surpreendeu os pais e o mestre de um seminário ao mostrar que sabia ler e interpretar textos. Então, o mestre passou a lecionar latim e grego à menina.


Representação da Papisa Joana de 1493
Foto: Wikimedia / Reprodução

A vontade de aprender fez com que Joana fugisse de casa para estudar em um seminário, que somente aceitou ter uma menina em sua turma sob autorização de um bispo. Para que ela não dormisse junto dos rapazes, um conde chamado Gerald aceitou-a em sua casa, onde ela viveu por anos.

Já adolescente, sobreviveu a um ataque viking e, a partir de então, adotou uma identidade masculina, usando o nome de um dos irmãos, João Ânglico. Como homem, foi aceita em um mosteiro beneditino, onde se destacou como médica. Em pouco tempo, sua fama de curandeira se propagou em Roma, e ela foi chamada para atender o Papa Sérgio II. Assim, acabou se tornando sua médica e porta-voz.

Em 847, após a morte do papa, Joana, como João Ânglico, foi indicada e escolhida por votação popular para ocupar o trono papal. Mesmo pega de surpresa, aceitou. Ela não esperava, porém, se reencontrar com o conde Gerald, o único que sabia a verdade. Os dois, então, se apaixonaram.



Ilustração representando a Papisa Joana
Foto: Wikimedia / Reprodução

Durante o ano de 847, “João Ânglico” teria promovido inúmeras obras sociais e mudanças na Igreja. Quando descobriu que estava grávida de Gerald, Joana decidiu continuar como papa até a Páscoa de 848. Durante a procissão, começou a sentir as dores do parto, que lhe levou à morte. O episódio teria causado grande discussão e revolta entre os fiéis.

A história da papisa Joana foi lembrada no século XIII pelo escritor Esteban de Borbón, mas sem provas concretas. Em 1886, a trama voltou a ser contada pelo grego Emmanuel Royidios e foi traduzida para o inglês por Lawrence Durrell, em 1939. As versões variam em alguns detalhes, como quem era o seu amante, a forma como morreu e qual papa ela sucedeu - em uma delas, teria sido Leão IV, em 855.

Existência improvável

Segundo Eduardo Moesch, professor de história da igreja da Faculdade de Teologia da PUC-RS, a narrativa tende a ser tratada como lenda pela Igreja Católica. Segundo ele, a existência da papisa Joana é improvável e fantasiosa porque, por mais que uma mulher pudesse ter se passado por homem, seria difícil esconder uma gravidez.

Para o docente, uma das provas mais concretas de que o episódio é irreal é a existência de documentos de 847 assinados tanto pelo Papa Sérgio II quanto pelo Papa Leão IV, seu sucessor. Assim, não haveria espaço suficiente entre os mandatos para que Joana pudesse ter ocupado o trono papal.

LIVRO

sinopse

No ano de 814, Idade Média, que ficou conhecida como a Idade das Trevas, as mulheres eram impedidas de estudar, podiam ser estupradas e até mortas pelos maridos. O conhecimento estava sufocado, os países hoje conhecidos na Europa não existiam, nem os idiomas modernos. Cada região tinha o seu dialeto e a lingua culta era o latim, herdada do Império Romano, que já havia sido derrubado pelas invasões bárbaras. Foi neste período sombrio que uma mulher passou a maior parte de sua vida vestida de homem, estudou medicina, foi médica do papa e tornou-se ela mesma papisa – durante dois anos. A história da Papisa Joana foi conhecida até o século XVII, quando o Vaticano resolveu apagá-la da história da Igreja. Não adiantou. Dona Woolfolk Cross pesquisou, descobriu os arquivos e achou a história tão fascinante que a transformou num romance, em que aventura, sexo e poder cruzam-se com maldições, guerras e heresias. O livro foi transformado num grande filme que estréia até o final do ano no Brasil.

A mulher Papa: um segredo que o Vaticano esconde há séculos!

Geração Editorial lança no Brasil “Papisa Joana”, o romance da escritora Donna Woolfolk Cross que conta a história da mulher que se disfarçou de homem e chegou a governar a Cristandade por dois anos

Há muitos anos a Igreja Católica tenta negar sua existência, mas as evidências não deixam dúvidas: existiu uma mulher que ocupou o trono papal. Esse mistério do passado e a veracidade sobre a Papisa Joana foram desenterrados pela escritora Donna Woolfolk Cross e transformados num grande romance histórico, que põe por terra a argumentação da Igreja de que essa mulher enigmática seria apenas uma lenda. A pesquisa, que durou mais de sete anos, reuniu todos os fatos conhecidos da vida de Joana, extraídos de documentos raros em inglês, espanhol, francês, italiano e latim. Além disso, num brilhante esforço de reconstituição de época, a autora retrata em “Papisa Joana” como era o século IX, o estilo de vida das pessoas, o preconceito contra as mulheres e a forma de funcionamento do clero.
Joana nasceu em 814, na aldeia de Ingelheim, no mesmo dia da morte do lendário Carlos Magno. O período era conhecido como Idade das Trevas, uma época brutal, de ignorância, miséria e superstição sem precedentes. Não existiam ainda os países europeus modernos, nem seus idiomas, apenas dialetos locais, sendo a língua culta o latim.
Com a morte do imperador Carlos, o Sacro Império Romano degenerou num caos de economia falida, pestes, guerras civis e invasões por parte de viquingues e sarracenos. A vida nesses tempos conturbados era particularmente difícil para as mulheres, que não tinham quaisquer direitos legais ou de propriedade.
A lei permitia que seus maridos batessem nelas, o estupro era encarado como uma forma menor de roubo. A educação das mulheres era desencorajada, pois uma mulher letrada era considerada não apenas uma aberração, mas também um perigo. Não havia para as mulheres outra alternativa a não ser se conformar com as limitações impostas ao seu sexo.
Foi nesse “meio” que Joana cresceu, aprendendo que apenas os homens poderiam conquistar um espaço na sociedade. Decidida, ela corajosamente se disfarça de rapaz quando adolescente, e ingressa num mosteiro beneditino, sob o nome de “irmão” João Ânglico. Graças à sua inteligência e determinação, ela rapidamente se destaca como erudita e médica, até que, sob a ameaça de ter seu disfarce revelado, parte para Roma, onde se torna médico do próprio papa.
Antes, porém, de cumprir seu destino e ocupar ela mesma o mais glorioso trono do Ocidente, Joana precisa superar obstáculos tremendos, como o seu amor pelo conde franco Gerold e as armadilhas do maquiavélico cardeal Anastácio, seu arquirrival.

O livro “Papisa Joana” foi transformado em filme
pelo cineasta alemão Sönke Wortmann

Constantin Film, a mesma produtora que fez “O Nome da Rosa”, terminou de filmar “Papisa Joana” em janeiro. O roteiro é baseado no livro “Papisa Joana” da escritora Donna Woolfolk Cross, que vai figurar nos créditos do filme como “consultora criativa”. Donna também assistiu às gravações, que ocorreram na Alemanha e no Marrocos. “Eles precisavam me tirar à força do set no final de cada dia de filmagem. Foi extraordinário observar tanta gente — atores, operadores de câmera, maquiadores, extras, até animais — reconstituindo cenas e diálogos que eu havia escrito na solidão do meu pequeno escritório”, declara a escritora.

Personagem fascinante
A papisa Joana é um dos personagens mais formidáveis de todos os tempos, e um dos menos conhecidos. Embora hoje negue a existência dela e de seu papado, a Igreja Católica reconheceu ambos como verdadeiros durante a Idade Média e a Renascença. Foi apenas a partir do século XVII, sob crescente ataque do protestantismo incipiente, que o Vaticano deu início a um esforço orquestrado para destruir os embaraçosos registros históricos sobre a mulher papa. O desaparecimento quase absoluto de Joana na consciência moderna atesta a eficácia de tais medidas.

Mídia internacional

“O primeiro romance de Cross, baseado na vida da controversa figura histórica da papisa Joana, é um relato fascinante e comovente sobre uma mulher determinada a aprender, apesar da oposição da família e da sociedade. A autora recria vividamente o mundo do século IX; acima de tudo, ela dá vida a uma mulher brilhante e cheia de compaixão, que precisa renegar o seu sexo para satisfazer o seu desejo de aprendizado. Altamente recomendado”. – Library Journal

“Cativante… ‘Papisa Joana’ tem todos os elementos: amor, sexo, violência, duplicidade, e segredos enterrados de um passado imemorial.” – Los Angeles Times

links do filme e documentários

A PAPISA JOANA PARTE 1

https://www.youtube.com/watch?v=zfvnufp2lNs

A VERDADE SOBRE A MULHER PAPA PARTE 2

https://www.youtube.com/watch?v=AgE5OR698QU&t=4s


FILME :
La pontífice ( pope Joan - Papisa Juana ) Película completa en espanol

 https://www.youtube.com/watch?v=3IeFlDGpjJY&t=660s

SINOPSE DO FILME:

La papisa o La pontífice es una película histórica de producción alemana, británica, italiana y española, dirigida por el director alemán Sönke Wortmann en 2009. El drama se basa en la novela homónima de la escritora estadounidense Donna Woolfolk Cross (1947-) y relata la leyenda surgida en la Edad Media sobre la figura de la papisa Juana, una mujer que, en el siglo nueve, supuestamente llegó a ser papa haciéndose pasar por hombre. El estreno mundial de la película fue en Berlín, el 19 de octubre del 2009 y está rodada en inglés.

Título original: Die Päpstin (Pope Joan)
Año: 2009
Duración: 149 min.
País: Alemania


VER TAMBÉM 

PAPISA JOANA A LENDA QUE INCOMODA O VATICANO
http://portugalmundial.com/papisa-joana-lenda-que-incomoda-o-vaticano/#


quarta-feira, 24 de maio de 2017

Arqueólogos procuram pelo 'navio da orgia' de Calígula

Embarcação monstruosa pode estar num pequeno lago da Itália

Thiago Lincolins


Visão moderna sobre o navio e seu dono | Crédito: Wikimedia Commons/Reprodução

Autoridades italianas estão atrás de um espetacular barco de mais de 120 metros de comprimento e quase 2 mil anos, criado por um capricho de um dos mais odiados governantes de Roma. 
Reinando entre 37 e 41, Caio Júlio César Augusto Germânico, mais conhecido como Calígula ("botinha"), foi o terceiro imperador. E o segundo a ser assassinado - ascendeu ao trono após matar seu antecessor, seu tio-avô Tibério, enquanto esse se tentava se recuperar de uma doença. Um completo lunático. Foi acusado de cometer incesto com cada uma das suas três irmãs, torná-las prostitutas, forçar as mulheres de seus oficiais a deitar-se com ele, matar prisioneiros ao final de orgias e transformar seu cavalo em senador. 
Talvez não seja assim, ou ao menos nem tudo assim: a história foi escrita por seus inimigos. Mas ao menos uma dessas extravagâncias foi certamente real: ele mandou construir barcos ridiculamente luxuosos. Neles, satisfaria seus apetites exóticos. Para evitar mais escândalos, os "iates" circulavam no Lago Nêmi, que fica há cerca de 30 quilômetros de Roma. Postos num laguinho de pouco mais de um quilômetro quadrado, tinham mais de 70 metros - o tamanho dos maiores navios que cruzavam oceanos na época das Grandes Navegações. 
+ Leia mais sobre como Calígula possivelmente não era esse monstro todo
Sabemos que eles são reais porque foram achados: foram avistados da superfície já no século 15. Muito depois, em 1931, o ditador Benito Mussolini ordenou que fosse feita uma drenagem do lago. Dois barcos foram recuperados e expostos num museu feito só para eles em Roma. Mas o incrível achado não durou muito tempo. Durante a Segunda Guerra, o  museu foi atingido pela artilharia dos EUA. Num desastre para a arqueologia, os navios acabaram incinerados. 
Mussolini, porém, pode ter feito o favor à História de deixar o mais impressionante submerso. O projeto de drenagem de 1931 teve de ser parado às pressas porque a terra em torno do lago se tornou instável, causando desabamentos. 
O que nos traz de volta ao presente. Para resolver o mistério de uma vez, as autoridades da Itália montaram uma grande busca no lago, envolvendo pesquisadores da Agência de Proteção ambiental da Calábria, mergulhadores e autoridades portuárias de Fiumicino. ''Pode parecer bizarro o fato de um grande barco ter naufragado em um pequeno lago como esse, mas o fato de ter pertencido a Calígula faz essa cena ser provável'', diz Luigi Dattola, da Agência de Proteção Ambiental da Calábria, em entrevista ao Seeker.
O que ele quer dizer com "pertencido a Calígula" é pelo fim que os barcos levaram. Numa tentativa de damnatio memoriae (remover as lembranças de alguém da História), foram afundados propositalmente após o assassinato de seu dono. Para facilitar a busca, o time de Dattola conta com a ajuda de equipamentos que conseguem detectar objetos que estejam enterrados abaixo do fundo do lago. Apesar de ter encontrado algumas anomalias que não são relacionadas ao barco, a busca ainda está num estágio preliminar. ''Caso o barco seja encontrado o mundo terá novas informações sobre as técnicas de construções navais dos Romanos'', diz Alberto Bertucci, prefeito local.  
Não é brincadeira, aliás: relatos falam desse terceiro barco tendo ridículos 120 metros de comprimento. O mundo só veria novamente embarcações tão grandes assim na metade do século 19*. É cruzar os dedos para o que pode ser um dos mais impressionantes achados deste século.

*Os navios do almirante chinês Zheng He, feitos no século 15, supostamente teriam mais de 130 metros. Mas isso é considerado improvável por boa parte dos historiadores atuais, que colocam suas medidas por volta dos 60 metros.
 

domingo, 14 de maio de 2017

Brasil: Uma História Inconveniente

Além das comemorações que estão acompanhando o "Brasil 500 anos", esse
momento deve ser também, uma oportunidade de reflexão histórica,
principalmente por parte de setores que nesses 5 séculos se
fortaleceram, em detrimento da maioria da população, ontem indígena,
negra-escrava e hoje representada por uma imensa camada de miseráveis e
excluídos da "democracia" e do "Estado de Direito".
Uma das
principais instituições ao longo de nossa história é a Igreja Católica.
Presente no Brasil desde os primórdios do período colonial, a Igreja
quase sempre esteve ao lado do poder, quer na Colônia, no Império ou na
República.
Os primeiros representantes da Igreja Católica, os padres
jesuítas, chegaram ao Brasil em 1549, com o primeiro Governador Geral,
Tomé de Souza, e fundaram o primeiro bispado na cidade de Salvador,
então capital da colônia.
A expansão da Igreja acompanhou a própria
expansão da colonização na medida em que, a cada nova Vila fundada, uma
capela era erguida.
No entanto, a principal ação dos jesuítas deu-se
frente aos indígenas, que deveriam ser catequizados como parte do
movimento de Contra Reforma, que seguindo as decisões do Concílio de
Trento, procurava expandir o catolicismo para os vários povos de todos
os continentes. A ação de catequese junto aos índios foi possível na
medida em que a
Igreja de Roma havia chegado a conclusão de que os silvícolas possuíam alma, portanto poderiam ser salvos.
A
partir de então, os jesuítas preocuparam-se em levar aos povos
indígenas os ensinamentos cristãos e para isso foram organizadas as
missões ( ou reduções) onde os indígenas aprendiam a língua portuguesa,
os costumes e a moral católica, aprendiam ainda a trabalhar com os
instrumentos trazidos pela nova cultura, apresentada como superior e
responsável pela desagregação de várias tribos.
A força e influência
política dos jesuítas e os interesses no tráfico de escravos negros, fez
com que o Estado proibisse a escravidão indígena, permanecendo porém
essa possibilidade a partir da "guerra justa", responsável pela
escravidão do índio, mesmo que em menor número quando comparado com a
escravidão negra.
A presença do jesuíta também teve grande
importância nas cidades coloniais, onde as poucas escolas que existiam
eram controladas por eles. Dessa forma, os filhos dos fazendeiros eram
educados pelos padres e em parte essa situação reproduzia o que ocorria
na metrópole, homens que ocupariam cargos públicos, explicando a atitude
do Marquês de Pombal em 1759, que expulsou os jesuítas de Portugal e de
todas as suas
colônias.
Durante o Primeiro Reinado (governo de D.
Pedro I entre 1822 e 1831), a Constituição outorgada de 1824,
determinou o catolicismo como religião oficial, ou seja, imposta e
controlada pelo Estado, sendo que esta situação foi mantida até a
Proclamação da República.
No dia 20 de março o jornal Folha de São
Paulo conseguiu uma cópia de um documento guardado sob sigilo pela
Igreja Católica no Brasil. Trata-se de uma carta de 21 páginas que
circula desde o começo de março entre os bispos que formam o episcopado
brasileiro

sexta-feira, 12 de maio de 2017

FOTOS REAIS DE ESCRAVOS DO SÉCULO XIX

Ecos da Escravidão - Caminhos da Reportagem





















Fosse nos engenhos de açúcar, nas lavouras de café ou na mineração, o
serviço pesado estava nas mãos dos cativos. E em homenagem aos 127 anos
da Lei Áurea, o Caminhos da Reportagem traça o longo e difícil caminho
do cativeiro à abolição, a luta pela liberdade, as formas de alforria,
os principais abolicionistas. Ainda analisa uma polêmica: é possível ou
não reparar os males deixados à população negra por anos e anos de
trabalho escravo?

A escravidão no Brasil poderia ter sido abolida antes de 1888?

A escravidão no Brasil poderia ter sido abolida antes de 1888? 
 


  • Abolição atrasada
Nunca é inoportuno ressaltar que o Brasil foi o último país do continente americano a abolir a escravidão. A Lei Áurea (Lei Imperial n. 3.353), sancionada em 13 de maio de 1888, foi um gesto importante por parte do Império, mas além de ter sido uma medida bastante demorada, veio desacompanhada de um novo projeto de nação que assimilasse a massa de negros libertos na atividade econômica e na esfera social.
Para piorar a situação, a República, instituída por meio de um golpe militar um ano após a abolição, também não apresentou nenhum projeto de Estado que integrasse a massa de negros libertos à nova realidade político-econômica da nação. Mas será que em algum momento da história do Brasil, antes da Lei Áurea, houve algum projeto de Estado que planejasse essa transição?
Sim, e esse projeto foi apresentado pelo estadista José Bonifácio de Andrada e Silva na Assembleia Constituinte de 1823.
  • José Bonifácio e o projeto de extinção gradual da escravidão
José Bonifácio de Andrada e Silva (1763-1838) foi um dos principais “arquitetos” do Império Brasileiro, tendo trabalhado desde 1820 para que o Brasil se tornasse independente e tivesse um regime imperial constitucional, o que ocorreu em 1822. Com o advento da Independência, restava ao Brasil conceber uma Constituição para definir que estrutura institucional seguiria.
Bonifácio era o primeiro-ministro de Dom Pedro I quando foi organizada a primeira Assembleia Nacional Constituinte do Brasil, em 1823. Foi em uma das reuniões da Constituinte que ele apresentou uma Representação, seguida de um Projeto de Lei, que tratava da gradual extinção do regime escravista no Brasil. Em sua representação, Bonifácio tentou convencer os outros parlamentares – representantes da aristocracia rural – dos benefícios econômicos e sociais que o país teria se, progressivamente, os negros fossem libertados e inseridos em um sistema de trabalho livre.
O projeto de Bonifácio tinha como objetivos principais:
  • Acabar com o tráfico negreiro em, no máximo, cinco anos;
  • Facilitar as condições de compra de alforria por parte dos escravos;
  • Acabar com os castigos físicos;
  • Conceder pequenas faixas de terras para que os negros libertos (por compra de alforria ou por outros meios) pudessem produzir e prosperar, etc.
Em um dos trechos de sua representação, podemos ler o apelo do estadista:
Se os negros são homens como nós, e não formam uma espécie de brutos animais; se sentem e pensam como nós, que quadro de dor e de miséria não apresentam eles à imaginação de qualquer homem sensível e cristão? Se os gemidos de um bruto nos condoem, é impossível que deixemos de sentir também certa dor simpática com as desgraças e misérias dos escravos; mas tal é o efeito do costume, e a voz da cobiça, que veem homens correr lágrimas de outros homens, sem que estas lhes espremam dos olhos uma só gota de compaixão e de ternura. Mas a cobiça não sente nem discorre como a razão e a humanidade.
  • Dissolução da Constituinte de 1823 e o “engavetamento” do projeto
O projeto de Bonifácio, contudo, não foi aprovado por uma razão muito específica: a Assembleia Constituinte de 1823 foi dissolvida pelo imperador D. Pedro I. Bonifácio, que protestou contra a medida, foi preso e depois exilado, só retornando ao país anos depois, mas sem a força e o prestígio que tivera antes. Seu projeto caiu no esquecimento porque, além de tudo, não despertava nenhuma simpatia na aristocracia rural escravista do Brasil da época, sobretudo porque não havia interesse pleno em um projeto de Estado ou em um projeto de Nação.
Nas décadas que se seguiram, o império, antes da Lei Áurea, apenas sancionou leis sob pressão internacional, principalmente dos ingleses, como a Lei Eusébio de Queirós, de 1850, que extinguiu o tráfico negreiro transatlântico, a Lei do Ventre Livre, de 1871, que impediu os filhos nascidos de escravas de serem também escravos, e a Lei dos Sexagenários, de 1885, que libertava todos os escravos com mais de sessenta anos de idade. Ainda assim, tais leis não apresentavam amparos institucionais reivindicados por José Bonifácio em 1823.

Por Me. Cláudio Fernandes
 

terça-feira, 9 de maio de 2017

INDICAÇÕES DE LIVROS ( PEDAGOGIA )

Pedagogia e Ensino de História da Educação (Português)

A eterna peleja do general Abreu e Lima

Por Paulo Santos Oliveira, publicado originalmente na Revista de História da Biblioteca Nacional, ano 6, nº 6, em novembro de 2010
Abreu e Lima foi um defensor implacável das liberdades civis. Por elas, arriscou a vida e até a alma





Quando o jovem capitão de artilharia José Inácio de Abreu e Lima (1794-1869) fugiu do cárcere da Fortaleza de São Pedro, em Salvador, em outubro de 1817, seu futuro era mais do que incerto. A revolução que deveria libertar o Brasil do domínio português, pela qual tanto havia trabalhado, acabara de ser sufocada, ao custo de mais de 1.500 mortos e feridos e cerca de 800 degredados, em Pernambuco, na Paraíba, no Ceará e no Rio Grande do Norte. Centenas de outros patriotas também estavam presos, sua rica família tivera os bens sequestrados, e ele e seu irmão Luís foram obrigados a assistir ao fuzilamento do pai, o advogado e ex-sacerdote apelidado de “Padre Roma” (1768-1817), na Bahia, para onde fora enviado como agente secreto do Governo Provisório pernambucano.


Aos 23 anos, José Inácio tinha apenas uma certeza: jamais deixaria de lutar pela liberdade e pelo direito dos cidadãos de fazerem suas próprias escolhas, inclusive as religiosas. E depois de arriscar a vida em dezenas de batalhas pela América do Sul, ele, um católico praticante, ainda enfrentaria a ira da Igreja por estas mesmas causas, aos 74 anos, pondo em risco sua alma imortal.

Após a fuga da prisão, os irmãos Abreu e Lima embarcaram clandestinamente para a Filadélfia, nos Estados Unidos, onde, no início de 1818, se abrigavam muitos combatentes pela liberdade nas Américas, e de lá partiram para a Venezuela. Luís ficou pelo caminho, pois conseguiu emprego em Porto Rico. José Inácio seguiu adiante, e no começo de 1819 chegou a Angostura, cidade erguida no meio da selva amazônica, às margens do Rio Orenoco, onde Simón Bolivar (1783-1830) havia montado o seu quartel-general. Lá, o pernambucano se tornou colaborador do Correo del Orinoco, porta-voz dos rebeldes bolivarianos, e polemizou com o jornalista Hipólito da Costa (1774-1823), que, de Londres, editava mensalmente o Correio Braziliense, no qual defendia uma monarquia constitucional no Brasil e atacava a revolução nordestina de 1817.

Em Angostura, o capitão também assistiu ao congresso de fundação da Terceira República venezuelana. Em seguida, engajado no Estado-Maior de um exército de dois mil homens comandado por Bolívar, atravessou a América do Sul numa marcha duríssima: primeiro, cruzando a Amazônia; depois, a vasta região pantanosa dos llanos debaixo de chuva; e, finalmente, escalando os Andes em pleno inverno. Em cinco meses chegou ao altiplano boyacaense com uma tropa desfalcada, doente e desarmada. Mas com o auxílio da população local, o Libertador derrotou a Terceira Divisão, um dos melhores corpos militares da Espanha, e libertou o vice-reino de Nova Granada — o Panamá e a Colômbia atuais.

Abreu e Lima acompanhou Bolivar nessa jornada épica, participando de todas as batalhas e ganhando várias condecorações, além da fama de valente. Também esteve nas campanhas dos três anos seguintes, que decretaram a libertação de Quito, atual Equador; da Venezuela e do antigo Peru, que se dividiria nos atuais Peru e Bolívia. Mas, consolidadas as independências, explodiram as intrigas e as disputas pelo poder. À maior parte das elites venezuelanas, granadinas e quitenses não interessava que suas nações permanecessem unidas numa só, a Grã-Colômbia, como queria Bolívar, e também não aprovavam vários de seus projetos, como abolição da escravatura, reforma agrária, educação popular, etc.

Em 1825, o já coronel Abreu e Lima se viu envolvido em outros confrontos de natureza política. Passou a ser atacado por gente que queria atingir o Libertador, de quem era fiel escudeiro, e o fato de ser estrangeiro – pior ainda, brasileiro – fazia dele um alvo fácil. Ora, o Brasil acabara de se separar de Portugal, mas, ao contrário dos seus vizinhos, transformara-se em império, não em república. E o imperador D. Pedro I era tido como um absolutista ferrenho, ligado às monarquias europeias mais conservadoras, inclusive pelo casamento com uma princesa austríaca, D. Leopoldina. Caluniado pela imprensa por Antônio Leocadio Guzmán (1801-1884), o coronel, de temperamento exaltado, feriu o rosto do desafeto com o sabre em plena rua. Por esse gesto foi submetido a Conselho de Guerra e enviado para o deserto de Bajo Seco, onde ficou encarcerado por seis meses.

No final de 1826, Abreu e Lima deu baixa do exército, mas Bolívar o chamou de volta, em 1828, e o incumbiu, junto com o abade Dominique Dufor de Pradt (1759-1837) de defendê-lo, no Courrier Français, dos ataques que o filósofo Benjamin Constant (1767-1830) lhe fazia em outros jornais franceses. A guerra política declarada contra as ideias bolivaristas havia cruzado o Atlântico.

Desgastado pelas campanhas difamatórias e sofrendo de tuberculose já em estágio avançado, o Libertador renunciou à Presidência dois anos depois, e saiu de Bogotá rumo ao litoral colombiano, de onde pretendia partir para o exílio na Europa. Abreu e Lima, promovido a general, também o acompanhou nesse derradeiro trajeto.

Bolívar morreu em Santa Marta, na Colômbia, no dia 17 de dezembro de 1830. Poucos meses depois, o pernambucano e outros militares estrangeiros foram expulsos de lá por inimigos políticos do antigo líder que haviam ocupado o poder. Depois de uma viagem pela Europa, onde se encontrou com o rei Luís Felipe, da França, e com D. Pedro I, que já havia abdicado do trono brasileiro em 1831, o general voltou para o Brasil no ano seguinte. Estabeleceu-se no Rio de Janeiro e alinhou-se aos conservadores do Partido Caramuru, abraçando as mesmas ideias de Hipólito da Costa, com quem polemizara na juventude. Decepcionado com o esfacelamento da Grã-Colômbia, Abreu e Lima passou a ver na monarquia constitucional o único sistema capaz de manter a nação brasileira coesa. Por isso, pós de lado seus ressentimentos com os Bragança, que tanto mal haviam causado à sua província e à sua família. Para ele, o estabelecimento de uma República no Brasil levaria ao poder os donos de terras, que também eram donos da maioria dos votos. E esses “senhores feudais” – como Abreu se referia aos grandes proprietários de terras – certamente não se preocupariam com o bem-estar das massas.

Essas convicções fizeram com que Abreu e Lima entrasse em conflito com vários liberais, como o jornalista Evaristo da Veiga (1779-1837), de quem recebeu injúrias e até ameaças de morte, e o cônego Januário da Cunha Barbosa (1780-1846), um dos fundadores do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, em 1838. Em 1836, ele lançou um jornaleco, O Raio de Júpiter, para defender a regência de D. Januária, irmã do futuro imperador Pedro II. Em 1843, publicou uma História do Brasil e foi novamente atacado pelo cônego Januário, dessa vez como “plagiador”. Desencantado com a Corte, o general voltou para Recife, onde fundou o jornal A Barca de São Pedro, e em 1848 se envolveu em outra das muitas revoltas libertárias pernambucanas, a Praieira. Considerado um dos cabeças do movimento, Abreu e Lima passou dois anos preso na ilha de Fernando de Noronha. Anistiado, ele se retirou da política, mas não se afastou das polêmicas. Em 1855, publicou O Socialismo, no qual criticava os principais defensores dessa linha de pensamento anteriores a Karl Marx (1818-1883), que não foi citado. Embora reconhecesse o conflito de classes, ele não defendia a superioridade de nenhuma delas. Para ele, “o socialismo não era uma ciência, nem uma doutrina, nem uma religião, nem uma seita, nem um sistema, nem um projeto, nem uma ideia”, mas “um desígnio da Providência”.

Mesmo tendo se assumido politicamente como conservador, continuou a ser um defensor de todas as liberdades – inclusive a religiosa -, o que lhe acarretou novos transtornos. Ao distribuir entre amigos algumas Bíblias que ganhara de protestantes ingleses, ele enfureceu o monsenhor Joaquim Pinto de Campos, um sertanejo bravo e extremamente reacionário, que passou a atacá-lo violentamente no Diário de Pernambuco ao longo de 1868. E o velho artilheiro disparava seus obuses de volta pelo Jornal do Recife.

 Túmulo de Abreu e Lima no Cemitério dos Ingleses, Recife


 Em meio a esse debate, José Inácio de Abreu e Lima morreu, no dia 8 de março de 1869, sem abjurar suas ideias, e isso fez com que o bispo de Olinda, D. Francisco Cardoso Ayres, lhe negasse sepultura em campo-santo brasileiro. Seus restos só puderam ser inumados em terras estrangeiras, no Cemitério dos Ingleses de Recife, debaixo de uma cruz celta. Mas o “General das Massas” não perdeu sua última batalha. A repercussão desse caso criou tanta polêmica em âmbito nacional que, dois anos depois, a administração dos cemitérios públicos foi retirada da Igreja, e o país deu mais um passo rumo às liberdades civis defendidas por ele ao longo de toda a vida.



 

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

indicações de livros

Livro: A História do Catolicismo

O Livro: A História do Catolicismo, de Michael Kerrigan e Mary Frances Bukzik, traça a História da Igreja Católica a partir das primeiras comunidades cristãs do século I, passando pela consolidação dos dogmas da Igreja, até sua ação no século XXI.

O livro foi lançado em 2016 e contém 232 páginas. Ao ler, você vai conferir
  • A história dos padres que fundaram a Igreja Católica, as heresias medievais que foram duramente combatidas e os Papas que contribuíram para exaltar ou denegrir a imagem da igreja.
  • Uma linha do tempo completa com os principais fatos relacionados à História do Cristianismo e a História da Igreja Católica, do século I ao século XXI.
  • O livro está dividido em duas partes: a primeira parte trata da cronologia da História da Igreja Católica; a segunda parte trata dos dogmas, rituais e a influência da Igreja no mundo.

 30 papas que envergonharam a Humanidade


Sinopse


Esta é uma obra polêmica e reveladora, fruto de anos de pesquisas junto a fontes de mais alta competência, um primoroso livro de cabeceira para o verdadeiro cristão, aquele que almeja ingressar no anúncio do Novo Milênio seguramente liberto do pesado fardo de mentiras e hipocrisias seculares.



Muito bom livro,conta muito bem a história suja dos 30 piores papas que guiaram os destinos da Igeja Católica da fora mais ridicula possível,sempre com prostituição,dinheiro sujo e mentiras seculares!!!
Jeovah Mendes aborda muito bem a tematica historica desses 30 Papas!

O Histórico Papal (Dos Porões Sombrios do Vaticano... 30 Papas que Envergonharam a Humanidade)

Uma leitura agradável e um tanto tendenciosa, tendo em vista que o autor é pastor evangélico e formado em Teologia e Filosofia. Mesmo sendo produzido em função de uma rivalidade ideológica, o livro deixa claro muitos aspectos comportamentais presentes nos primeiros tempos da Igreja e outras atividades mais recentes, como, por exemplo, no período da Segunda Grande Guerra Mundial.

O primeiro capítulo inicia com o caso da papisa Juana, que foi morta depois de descoberta. Do segundo capítulo em diante, o comportamento dos papas é de completa hipocrisia em relação as normas comportamentais estabelecidas pela Igreja.

Acredito que uma boa sugestão para quem deseja ler o livro, seria se colocar como um indivíduo do período medieval, desprovido dos códigos comportamentais do século XXI. Refiro-me a isso, pois do período medieval ao século XXI, houve profundas mudanças estruturais da nossa sociedade. Se o leitor não possuir uma profunda maturidade histórica, poderá ficar perplexo com os casos de estupros e outras "atividades
papais".

É uma boa leitura. Entretanto, que fique claro que o livro "Dos Porões Sombrios do Vaticano... 30 Papas que Envergonharam a Humanidade", foi motivado por rivalidade entre igrejas cristãs, com o objetivo de se obter maior número de fiéis.

Boa Leitura! ;)



OBS: Destaquei o estupro, no final do penúltimo parágrafo, devido ao fato de o que nós entendemos como luxúria e atividades ilegais relacionados a sexualidade (coisas repulsivas, segundo os códigos comportamentais do século XXI), na Idade Média era um pecado ou atividade de menor importância moral. Um exemplo do que estou falando está na obra: A Divina Comédia, Quando Dante estabelece a Luxúria no Segundo Círculo do Inferno junto com outros pecados menores e leves, no livro Inferno.



A História  Reveladas dos Papas




Por que a Igreja Católica é detentora de um Estado independente, equiparando-se mais a um reino que a uma república? Essa história milenar do poder temporal do papado, com todas as vicissitudes e desdobramentos, é analisada por este livro que, além de descrever a formação e o desenvolvimento do Estado do Vaticano através dos séculos, ressalta a atuação de muitos papas, (desde Pedro até Bento XVI) que, de uma forma ou de outra, constribuíram para a implantação e a manutenção desse Estado Teocrático.



  Livro Mitos Papais

MITOS PAPAIS - POLITICA E IMAGINAÇAO NA HISTORIA





Sinopse

'Mitos papais - Política e imaginação na história' é um livro sobre a força dos mitos na busca contemporânea pela verdade. As relações entre poder e religião protagonizadas pelo Vaticano ainda hoje são analisadas através de cinco histórias fabulosas - o reencontro arqueológico com o Apóstolo Pedro, a pureza e a corrupção do Cristianismo Primitivo, a salvação pública pela Reforma Gregoriana, a tirania familiar do Papa Bórgia e a suspeita da cumplicidade entre a Santa Sé e Hitler. A mitologia guarda alguns dos nossos dilemas mais reais.


O Martelo das Feiticeiras 




Descrição

'O Martelo das Feiticeiras' (Malleus Maleficarum) é um dos livros mais importantes da cultura ocidental, tanto para os leitores que se interessam pela história quanto para aqueles que estudam a história do pensamento e das leis. Documento fundamental do pensamento pré-cartesiano, bem como um dos mais importantes depositórios das leis que vigoravam no Estado teocrático, revela as articulações concretas entre sexualidade e poder, e por isso é uma peça única para todos aqueles que estudam a profundidade da psique humana e o funcionamento das sociedades. Durante quatro séculos este livro foi o manual oficial da Inquisição para caça às bruxas. Levou à tortura e à morte mais de 100 mil mulheres sob o pretexto, entre outros, de 'copularem com o demônio'. Esse genocídio foi perpetrado na época em que formavam as sociedades modernas européias. Uma das conseqüências, apontadas pelos especialistas, foi tornar dóceis e submissos os corpos das mulheres posteriormente. 
 
 
A verdadeira bíblia da misoginia, um livro que potencializou ódio contras as mulheres que entre 1600 a 1800 mais da 40.000 mulheres foram levadas a morte na fogueira...a inquisição católica já assassinava milhares de mulheres antes deste livro...porém esse livro incendiou ainda mais esse genocídio jogando milhares de litros de gasolina na fogueira.

Livro A Papisa Joana


Papisa Joana
Autora: Donna Woolfolk Cross
Tradutor: Paulo Schmidt
Gênero: Romance Histórico
 
 

Sinopse:

No ano de 814, Idade Média, que ficou conhecida como a Idade das Trevas, as mulheres eram impedidas de estudar, podiam ser estupradas e até mortas pelos maridos. O conhecimento estava sufocado, os países hoje conhecidos na Europa não existiam, nem os idiomas modernos. Cada região tinha o seu dialeto e a lingua culta era o latim, herdada do Império Romano, que já havia sido derrubado pelas invasões bárbaras. Foi neste período sombrio que uma mulher passou a maior parte de sua vida vestida de homem, estudou medicina, foi médica do papa e tornou-se ela mesma papisa – durante dois anos. A história da Papisa Joana foi conhecida até o século XVII, quando o Vaticano resolveu apagá-la da história da Igreja. Não adiantou. Dona Woolfolk Cross pesquisou, descobriu os arquivos e achou a história tão fascinante que a transformou num romance, em que aventura, sexo e poder cruzam-se com maldições, guerras e heresias. O livro foi transformado num grande filme que estréia até o final do ano no Brasil.

A mulher Papa: um segredo que o Vaticano esconde há séculos!

Geração Editorial lança no Brasil “Papisa Joana”, o romance da escritora Donna Woolfolk Cross que conta a história da mulher que se disfarçou de homem e chegou a governar a Cristandade por dois anos

Há muitos anos a Igreja Católica tenta negar sua existência, mas as evidências não deixam dúvidas: existiu uma mulher que ocupou o trono papal. Esse mistério do passado e a veracidade sobre a Papisa Joana foram desenterrados pela escritora Donna Woolfolk Cross e transformados num grande romance histórico, que põe por terra a argumentação da Igreja de que essa mulher enigmática seria apenas uma lenda. A pesquisa, que durou mais de sete anos, reuniu todos os fatos conhecidos da vida de Joana, extraídos de documentos raros em inglês, espanhol, francês, italiano e latim. Além disso, num brilhante esforço de reconstituição de época, a autora retrata em “Papisa Joana” como era o século IX, o estilo de vida das pessoas, o preconceito contra as mulheres e a forma de funcionamento do clero.

Joana nasceu em 814, na aldeia de Ingelheim, no mesmo dia da morte do lendário Carlos Magno. O período era conhecido como Idade das Trevas, uma época brutal, de ignorância, miséria e superstição sem precedentes. Não existiam ainda os países europeus modernos, nem seus idiomas, apenas dialetos locais, sendo a língua culta o latim.

Com a morte do imperador Carlos, o Sacro Império Romano degenerou num caos de economia falida, pestes, guerras civis e invasões por parte de viquingues e sarracenos. A vida nesses tempos conturbados era particularmente difícil para as mulheres, que não tinham quaisquer direitos legais ou de propriedade.

A lei permitia que seus maridos batessem nelas, o estupro era encarado como uma forma menor de roubo. A educação das mulheres era desencorajada, pois uma mulher letrada era considerada não apenas uma aberração, mas também um perigo. Não havia para as mulheres outra alternativa a não ser se conformar com as limitações impostas ao seu sexo.

Foi nesse “meio” que Joana cresceu, aprendendo que apenas os homens poderiam conquistar um espaço na sociedade. Decidida, ela corajosamente se disfarça de rapaz quando adolescente, e ingressa num mosteiro beneditino, sob o nome de “irmão” João Ânglico. Graças à sua inteligência e determinação, ela rapidamente se destaca como erudita e médica, até que, sob a ameaça de ter seu disfarce revelado, parte para Roma, onde se torna médico do próprio papa.

Antes, porém, de cumprir seu destino e ocupar ela mesma o mais glorioso trono do Ocidente, Joana precisa superar obstáculos tremendos, como o seu amor pelo conde franco Gerold e as armadilhas do maquiavélico cardeal Anastácio, seu arquirrival.

O livro “Papisa Joana” foi transformado em filme
pelo cineasta alemão Sönke Wortmann 

Constantin Film, a mesma produtora que fez “O Nome da Rosa”, terminou de filmar “Papisa Joana” em janeiro. O roteiro é baseado no livro “Papisa Joana” da escritora Donna Woolfolk Cross, que vai figurar nos créditos do filme como “consultora criativa”. Donna também assistiu às gravações, que ocorreram na Alemanha e no Marrocos. “Eles precisavam me tirar à força do set no final de cada dia de filmagem. Foi extraordinário observar tanta gente — atores, operadores de câmera, maquiadores, extras, até animais — reconstituindo cenas e diálogos que eu havia escrito na solidão do meu pequeno escritório”, declara a escritora.

Personagem fascinante
 
A papisa Joana é um dos personagens mais formidáveis de todos os tempos, e um dos menos conhecidos. Embora hoje negue a existência dela e de seu papado, a Igreja Católica reconheceu ambos como verdadeiros durante a Idade Média e a Renascença. Foi apenas a partir do século XVII, sob crescente ataque do protestantismo incipiente, que o Vaticano deu início a um esforço orquestrado para destruir os embaraçosos registros históricos sobre a mulher papa. O desaparecimento quase absoluto de Joana na consciência moderna atesta a eficácia de tais medidas.

 Mídia internacional

“O primeiro romance de Cross, baseado na vida da controversa figura histórica da papisa Joana, é um relato fascinante e comovente sobre uma mulher determinada a aprender, apesar da oposição da família e da sociedade. A autora recria vividamente o mundo do século IX; acima de tudo, ela dá vida a uma mulher brilhante e cheia de compaixão, que precisa renegar o seu sexo para satisfazer o seu desejo de aprendizado. Altamente recomendado”. – Library Journal
Cativante… ‘Papisa Joana’ tem todos os elementos: amor, sexo, violência, duplicidade, e segredos enterrados de um passado imemorial.” – Los Angeles Times