segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Mundo Antigo



Alguns dos povos apresentados nas histórias
Asterix

Túlio Vilela
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

ROMANOS

Em Asterix, apesar de todas as piadas e absurdos, é possível perceber que alguma pesquisa foi realizada no que se refere ao modo como Roma foi retratada, especialmente nos cenários desenhados por Uderzo. É curioso notar que em Asterix os romanos raramente são retratados como maus ou sinistros, apesar de todos  os planos e tentativas de conquistar a aldeia dos gauleses. Isso porque em Asterix, os gauleses não odeiam os romanos, querem apenas preservar sua cultura e estilo de vida. Um exemplo disso é que apesar de possuírem a poção mágica que concede uma força descomunal a quem bebe, e cuja fórmula é conhecida apenas pelo druida Panoramix, os gauleses da aldeia a usam somente para fins de defesa e jamais para conquista. Trata-se de uma crítica a toda forma de expansionismo militar. Outra razão para os romanos, apesar de adversários dos gauleses, serem na sua maioria personagens simpáticos é que Goscinny e Uderzo jamais poderiam negar ou desprezar a herança cultural deixada por Roma. Na vida real, a Gália tornou-se uma das mais romanizadas províncias do Império Romano. Os gauleses acabaram assimilando os hábitos e a cultura romana. Exemplo disso está no próprio idioma, pois a atual língua francesa surgiu do latim, a língua falada pelos antigos romanos, e quem também deu origem ao italiano, ao português, ao espanhol e ao romano (falado na Romênia). Daí as semelhanças entre essas línguas e o fato de serem consideradas línguas latinas.

GAULESES

Os gauleses viviam na Gália, território que corresponde mais ou menos aos territórios das atuais França e Bélgica. Assim como nos quadrinhos, os gauleses da vida real tinham carne de javali no cardápio. Também tinham druidas, mas esses eram bem diferentes do simpático Panoramix: realizavam sacrifícios humanos em alguns de seus rituais e, é claro, não tinham a fórmula de nenhuma poção mágica.

BRETÕES

Gauleses e bretões eram povos aparentados. Ambos tinham origem celta. Os celtas eram povos que habitavam o norte e o centro da Europa. Em Asterix entre os bretões, há várias piadas que fazem referência à Inglaterra dos dias de hoje: o fato de as carroças dos bretões andarem na outra mão ( da mesma forma como os automóveis trafegam na Inglaterra de hoje ), a carroça de dois andares ( uma alusão ao famoso ônibus de dois andares que andam nas ruas de londrés), o hábito dos bretões de tomarem a "quente água" ( uma brincadeira com hábito inglês do chá das cinco), o fato de os bretões falarem os adjetivos antes dossubstantivos ( EXEMPLO:"AS romanas patrulhas") e um certo jogo que lembra dois esportes de origem inglesa, o futebol e o rúgbi ( mão confundir com o futebol americano). Até o nome do chefe bretão. Godseivzeekingos, é uma brincadeira com God Save The King (" DEUS SALVE O REI"), o hino nacional britânico, que também é conhecido como God Sane The Queen("DEUS SALVE A RAINHA). Por fim. como a história foi publicada na década de 1960, os quatro bardos que aparecem cantando para delírio das fãs são os próprios Beatles caricaturados.

BELGAS

Os belgas também eram gauleses. César em seu relato sobre a conquista a Gália, chegou a afirmar que os belgas estavam entre os mais valentes guerreiros de toda a Gália. 
Na França, os belgas são alvos de piadas semelhantes às piadas de português contadas no Brasil. A aventura Asterix entre os belgas também brinca com isso. Nessa mesma aventura aparecem dois guerreiros belgas com a cara dos detetives Dupond e Dupont, personagens da nais conhecida série de histórias em quadrinhos da Bélgica: As aventuras de Tintim. Vale lembrar que a Bélgica atual é um país com dois idiomas oficiais, o francês e o flamengo (idioma que também é falado na Holanda.

GODOS

O único povo mostrado de maneira realmente sinistra em Asterix são os godos, povo de origem germânica. Nem mesmo os romanos foram retratados de forma tão negativa.Isso porque os godos representavam os alemães e a memória da ocupação da França pela Alemanha nazista ainda era muito recente quando as aventuras de asterix foram criadas. Em Asterix e os godos, os guerreiros godos usam capacetes semelhante aos usados pelo alemães na primeira guerra mundial. Nessa mesma história, Asterix e Obelix enfrentam tudo e todos, trata-se de uma referência a Adolf Hitler, ditador nazista que governou a Alemanha durante a segunda Guerra Mundial.

Helvéticos

A região da Helvética corresponde ao que hoje é a Suíça, daí, na aventura Asrerix entre os helvéticos, aparecem os banqueiros helvéticos, uma brincadeira em cima dos famosos bancos suíços ( os mesmos onde certos políticos brasileiros depositam dinheiro obtido ilegalmente.).

NORMANDOS

Os normandos, nome que significa " homem do Norte", ou  nórdicos eram os antigos habitantes da Escandinávia ( regão gelada da Europa da qual fazem parte a Noruega, a Dinamarca, a Suécia e a Islândia). trata-se do mesmo povo que na idade Média ficou conhecido como Vikings. Há uma região da Franca atual que recebeu o nome de Normandia porque no passado foi colonizada pelos normandos. Os normandos aparecem com destaque em duas aventuras de Asterix: "Asterix e os Normandos" e A Grande Travessia". Na primeira, os corajosos normandos organizam uma expedição para tentar descobrir o que é o medo, algo que jamais sentiram e tinham grande curiosidade em saber como era ( o final é surpreendente ), na segunda, normandos e gauleses chegam na América séculos antes de Colombo. Detalhes: em " A Grande Travessia". o cão dos normandos é da raça dinamarquês e late com sotaque (!).

HISPÂNICOS

Na aventura ! ASTERIX NA HISPÂNIA", Asterix e Obelix visitam a Hispânia, nome que era dado a Península Ibérica ( onde hoje ficam Portugal e Espanha). Nessa história, os hispânicos lembram os espanhóis de hoje, fala, "Olé" e gostam de touradas. Sá mesmo nos quadrinhos, porque certamente os hispânicos deviam ser bem diferentes dos espanhóis  atuais. Uma das razões é porque boa parte da cultura espanhola de hoje é produto de influência que vieram depois do domínio romano, como por exemplo. a influência árabe.

ÍNDIOS NORTES - AMERICANOS

Uderzo e Goscinny não fizeram piadas em cima dos países da Europa, sobrou também para os Estados Unidos em ' A Grande Travessia". Asterix e Obelix chegam à América do Norte e encontram uma tribo de índios, Num momento, um dos índios apanha de Obelix e fica enxergando estrelas da bandeira dos Estados Unidos. Outro Índio apanha de Asterix, mas as estrelas que esse  enxerga são da insígnia da força aérea norte-americana. Imaginem só se tivessem chegado na América do Sul, mais especificamente onde hoje é o Brasil... 


Quadrinhos e Antigüidade O mundo antigo segundo Asterix e Obelix

Túlio VilelaEspecial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação




Divulgação


A aldeia de Asterix, sempre apresentada na abertura das histórias do personagem

"Estamos no ano 50 antes de Cristo. Toda a Gália foi ocupada pelos romanos... Toda? Não! Uma aldeia povoada por irredutíveis gauleses ainda resiste ao invasor". Essa é a introdução que aparece antes de cada aventura de Asterix, o gaulês, famoso herói das histórias em quadrinhos francesas. Nas aventuras de Asterix, os legionários romanos quase sempre aparecem apanhando dos gauleses, especialmente de Obelix, o melhor amigo de Asterix.

Mas será que os antigos romanos eram parecidos com os mostrados nessas histórias? E os outros povos da Antigüidade que também aparecem nessas histórias (gauleses, bretões, gregos, egípcios...)? Será que alguma tribo de gauleses conseguiu mesmo resistir aos romanos? Para responder essas e outras  perguntas, precisamos separar o que é real do que é imaginário. Isso porque, como veremos com mais detalhes, nas histórias de Asterix, enquanto alguns elementos têm base em fatos históricos, outros são pura fantasia.

Metáfora da ocupação nazista na França

As histórias de Asterix foram criadas com o propósito de divertir e não com a pretensão de "ensinar História". Por isso, elas se valem do mesmo recurso usado para fazer humor nos desenhos animados dos Flintstones, a famosa família da Idade da Pedra: retratar o passado com as características do modo de vida dos dias de hoje. Na verdade, as histórias de Asterix refletem muito mais a época em que foram criadas do que propriamente a época em que elas se passam.
Asterix foi criado pela dupla de franceses René Goscinny (escritor, já falecido) e Albert Uderzo (desenhista, que continuou a criar as histórias após a morte de Goscinny em 1977). O personagem apareceu pela primeira vez na revista francesa Pilote em 1959. Segundo vários críticos, o fato dessas histórias tratarem de um povo (os gauleses) resistindo à dominação de outro (os romanos) pode ter sido inspirado na resistência francesa à ocupação nazista durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) ou uma crítica à hegemonia dos Estados Unidos após a Segunda Guerra.

Seja como for, ao ler Asterix podemos aprender mais a respeito do mundo contemporâneo do que a respeito do mundo antigo. Neste artigo, responderemos algumas perguntas e falaremos um pouco de como diferentes povos foram mostrados nessa famosa série de quadrinhos.

Em qual período da história de Roma se passam as histórias de Asterix?

As aventuras de Asterix se passam no período da República (509 a 27 a. C.). Trata-se do período em que Roma foi governada pelo Senado. Os outros períodos da história de Roma são o da Monarquia (753 a 509 a. C.), quando a cidade foi governada por reis, e o do Império (27 a. C. a 476 d. C.), em que o Senado perdeu parte da força que tinha antes e o poder passou a se concentrar nas mãos dos imperadores. Portanto, Júlio César, o general romano que liderou a conquista da Gália, e que é figura recorrente nas aventuras de Asterix, jamais foi imperador como muita gente costuma imaginar.

O título de "Imperador" (que significa "supremo") só surgiu depois de morte desse general e foi utilizado pela primeira vez por Otávio, sobrinho e filho adotivo de César, que passou a se chamar Augusto (nome que significa "divino"). Apesar de jamais ter recebido o título de imperador, Júlio César foi o principal responsável por várias conquistas militares que tornaram possível o Império Romano. Por isso, em sua homenagem, todos os imperadores romanos eram também chamados de Césares.

O verdadeiro Júlio César era mesmo parecido com o Júlio César mostrado nos quadrinhos?

O Júlio César mostrado nos quadrinhos de Asterix guarda semelhanças físicas com as estátuas e bustos feitos em homenagem ao verdadeiro César. No entanto, vale destacar uma curiosidade: essas estátuas e bustos geralmente mostram Júlio César com todos os cabelos, mas  quando foram feitas, o modelo já era calvo. Trata-se de um fato comum na História: os poderosos são retratados da forma como eles gostariam de ser lembrados e não como realmente eram. No que se refere à personalidade, o César dos quadrinhos também lembra o que existiu em alguns aspectos, tais como espírito de liderança e habilidade política.

reprodução

Júlio César, no traço de Uderzo

E Cleópatra, a rainha do Egito? Há semelhanças entre a verdadeira e a mostrada em Asterix?

A Cleópatra mostrada nos quadrinhos (e também no filme Asterix e Cleópatra) é inspirada na imagem popular difundida nos filmes de Hollywood, a de uma rainha sedutora e de beleza exótica que encantava inúmeros homens. Ao que tudo indica, a verdadeira Cleópatra era bem diferente: descendente dos reis ptolomaicos, dinastia fundada por um dos generais de Alexandre, o Grande, ela tinha muito mais em comum com os gregos do que com os egípcios (Alexandre, que veio da Macedônia, difundiu a cultura grega no Ocidente).

Segundo Plutarco, filósofo e historiador grego que viveu na Antigüidade, Cleópatra não tinha uma beleza extraordinária, mas era muito atraente, com uma voz capaz de encantar os homens em qualquer língua. Tal como mostrado no álbum O filho de Asterix, ela teve realmente um filho com Júlio César.  No entanto, na vida real, César recusou-se a tornar esse filho seu herdeiro, honra que coube a Otávio. O filho de César e Cleópatra, que se tornou o faraó Ptolomeu 15, também conhecido como Cesarion ("Pequeno César"), teve um final trágico: morreu assassinado aos dezessete anos por ordem de Otávio.

Além de Júlio César e Cleópatra, outras figuras históricas já apareceram nos quadrinhos de Asterix?

Sim. Durante os quais podemos destacar, Vercingetórix, chefe gaulês que tentou resistir à conquista romana, e Brutus, enteado de Júlio César, que se tornaria um dos responsáveis pelo assassinato de César (daí a famosa frase que César teria proferido pouco antes de morrer: "Até tu, Brutus?!"). 

Alguma tribo gaulesa conseguiu mesmo resistir à ocupação romana?

Inicialmente, os gauleses conseguiram oferecer resistência, mas acabaram sendo conquistados pelo exército de César. Em 52 a. C. o chefe gaulês Vercingetórix conseguiu unir as tribos do centro e do leste da Gália contra os romanos. Tudo o que sabemos desse chefe é aquilo que o próprio Júlio César escreveu em sua obra "Das guerras na Gália". No início, esse chefe conquistou algumas vitórias usando a prática da "terra queimada", que consistia em abandonar as terras mas deixando-as de maneira que o inimigo não conseguisse se reabastecer (sem comida). No entanto, após uma derrota numa batalha, Vercingetórix se rendeu para poupar seu povo. Foi levado como prisioneiro para Roma e jogado em uma cela. Há indícios de que tenha morrido estrangulado na prisão em 46 a. C. Como  se vê, apenas nas aventuras de Asterix é que os gauleses vencem os romanos no final.

reprodução

Vercingetórix depõe as armas aos pés de César

Todos os  povos mencionados nas histórias de Asterix existiram mesmo?

Sim. No entanto, como já afirmou certa vez numa entrevista, o próprio desenhista Albert Uderzo, esses povos devem ter sido bem diferentes na vida real, principalmente no que se refere aos costumes. Nos quadrinhos de Asterix, os povos antigos são mostrados com as características atribuídas aos povos que vivem hoje nas regiões onde se passam as histórias. Daí, os gauleses parecerem com a imagem que os franceses fazem de si mesmos (que é bastante diferente da que o resto do mundo faz dos franceses) ou os bretões parecerem com os ingleses dos dias de hoje.

Quase 300 obras de Picasso descobertas na França

Em janeiro desse ano, um eletricista aposentado entrou em contato com Claude Picasso, filho do pintor espanhol e responsável por administar sua obra, para pedir o certificado de autenticidade de alguns trabalhos que possuía, supostamente saídos da mão do mestre.O que não se esperava é que o eletricista aparecesse com 270 obras de picasso, que supostamente o teria presenteado por serviços prestados nas diversas casas que o artista ocupou durante sua estadia na França.
As autoridades do país investigam a procedência dos trabalhos ( a autenticidade já foi comprovada) e há suspeitas até de roubo por parte do aposentado. Veja uma matéria do estadão sobre o caso nesse link 


http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,obras-ineditas-de-picasso-sao-encontradas-na-franca,646934,0.htm